Por que tiros em escolas?

Documentário Tiros em Columbine pode servir de ponto de partida para discutir a violência em sala de aula.

Fernanda Gehrke Educação

11/08/11 12:52 - Atualizado em 11/08/11 13:05

Em tempos de massacre de estudantes na Noruega e no Rio de Janeiro, exibir o documentário Tiros em Columbine em sala de aula pode ser uma boa forma de abordar a questão da violência contra estudantes. Do título original Bowling for Columbine, o filme dirigido por Michael Moore recebeu muitos prêmios, inclusive o Oscar de Melhor Documentário de 2002.

De forma bem humorada e nem por isso deixando de ser crítico, o diretor começa seu filme entrando em uma agência bancária nos Estados Unidos para abrir uma conta. O que parece não ter relação nenhuma com o massacre na Columbine High School, onde estudantes abriram fogo contra colegas e professores, matando 15 pessoas em 1999, na verdade aponta o que o filme identifica como um dos fatores que contribui para a violência no país: a facilidade de acesso a armas e a seu respectivo porte. Ao abrir a conta no banco, Michael Moore é presenteado pelo gerente com um rifle e o fato serve como ponto de partida para uma análise da cultura norte-americana que incentiva o uso de armas e sua fabricação. 

Mas Tiros em Columbine vai além da culpabilização das armas pelo massacre na escola. É realizado um percurso de investigação passando por astros do rock, videogames, filmes e programas de televisão. A comparação com a realidade de outros países também aparece no filme, como forma de ampliar a complexidade das questões que permeiam o incidente.

Sobreviventes dos ataques são entrevistados e auxiliam o diretor em uma empreitada para que grandes lojas de departamentos deixem de vender munição, como a loja onde os atiradores de Columbine adquiriram as balas que mataram seus colegas e um professor. Buscando investigar se o ambiente da escola influenciou o comportamento dos estudantes que atiraram e depois se suicidaram, ele entrevista outra pessoa que passou pela mesma instituição. Ele é Matt Stone, criador do desenho animado South Park.

Outro entrevistado é Charlton Heston, ator que ficou famoso por interpretar Ben-Hur no filme O planeta dos macacos, em 1968. Na época da realização do documentário, Heston era também vice-diretor da NRA (National Riffle Association). Ao ser questionado a respeito de mortes de crianças e adolescentes por armas de fogo, o ator se revolta e interrompe a entrevista com Michael Moore.

A exibição de Tiros em Columbine pode servir de ponto de partida para um debate sobre motivações dos atiradores de casos mais recentes, como o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, no dia 7 de abril de 2011, onde 12 estudantes foram mortos e o caso do norueguês que matou mais de 80 pessoas, incluindo 76 estudantes que participavam de um acampamento da juventude do partido trabalhista norueguês, no dia 22 de julho deste mesmo ano.

Veja trecho do programa Metrópolis, com estudantes do ensino médio que assistiram ao filme em 2003:

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