Os encantos e encantamentos da sétima arte

O ser humano é um contador de histórias. Desde as primeiras marcas deixadas pelo homem encontramos traços de narrativas. Contar histórias tem, desde os primórdios, um caráter sagrado. São narrativas de deuses da natureza, deuses animais, deuses antroporformos, eventos misteriosos, milagres e profecias. Os filósofos contaram histórias (pensemos em Platão e Nietzsche), Cristo contou histórias e a modernidade esbanja novas histórias a todo o momento.
Atualmente as encontramos nas bancas de jornal, nas livrarias, nos teatros, em nossos televisores e nas telas do cinema. Todos contamos ‘causos’ para nossos amigos, conhecemos o passado de nossa família e até inventamos histórias-jogo (os famosos jogos de RPG). São as nossas histórias mais íntimas e as histórias dos outros, fatos reais, narrativas imaginadas e textos sagrados.
Aprendemos com histórias, nos divertimos, alimentamos o espírito com sensações e somos afetados por elas. A mitologia grega é um forte exemplo de como uma história pode ampliar o pensamento e nos levar além: Freud e muitos daqueles que estiveram na emergência da psicanálise dela se nutriram para encontrar as chaves de um novo campo de investigação da mente humana - complexo de Édipo, Sísifo, Tânatos (pulsão de morte) e Eros (pulsão de vida).
No CMAIS+ Educação semanalmente comentamos um filme, procurando encontrar em sua narrativa possibilidades de reflexão e aprendizagem. A linguagem audiovisual constitui-se como arte de contar histórias que carrega uma grande força, impressionando nossos olhos e ouvidos, criando um tempo que nos captura que não é igual ao instante real, mas o tempo da conversa que, em si, já rompe as amarras temporais.
O cinema emerge de seu parente moderno, a fotografia. O que se registra são imagens e nelas o movimento. O cinema tornou-se parente do teatro, exibido para grandes plateias. Assistia-se ao filme enquanto músicos tocavam ao vivo.
A sétima arte evolui, o áudio é incorporado, a edição e montagem de cenas ganha destaque, surgem equipes cada vez maiores e mais especializadas, emergem diversos gêneros cinematográficos, o cinema torna-se indústria, o cinema torna-se linguagem de mundo das artes. Temos cinema na TV, no computador, no celular, no tablet, na galeria de arte, em museus, nos ônibus, na rua e também nas escolas (o projeto Cinema vai à Escola, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo acaba de lançar mais uma coleção de filmespara professores e alunos da rede pública).
O encantamento do cinema está intrinsecamente ligado à arte de contar histórias, sejam elas ficcionais ou reais, sejam voltadas para arte, crítica, estudo ou entretenimento. O homem expandiu o alcance de suas narrativas nesta arte, que não se sobrepôs a outras, mas somou-se ao rol de opções que dispomos.
E o futuro, quem sabe o que será inventado? Histórias interativas e que mudam de rumo de acordo com nossa intervenção já se configuram em distinta trama? O que há além? Com as inovações tecnológicas, em breve saberemos a resposta.
Para encerrarmos nossa prosa sobre o cinema, o homem e suas histórias, trazemos a bela homenagem a sétima arte e uma de suas mais carismáticas figuras.
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