Mais cinema nas escolas

Novos títulos chegam às escolas públicas e ampliam seu acervo


Bruno Fischer Dimarch Educação

18/03/14 14:26 - Atualizado em 18/03/14 14:46

Os alunos do Ensino Médio da rede pública do Estado de São Paulo têm à sua disposição novos filmes que compõem a DVDteca do projeto O Cinema vai à Escola, do programa Cultura é Currículo. A equipe do Cmais+ Educação preparou uma matéria especial sobre o projeto e o novo acervo que chegou às escolas.
 
Início
 
Cultura e ensino são elementos intrinsecamente ligados. Na escola, o legado humano e a atualidade das Ciências, Letras e Artes constituem a base do currículo e o dinâmico processo de ensino e aprendizagem por ele engendrado. Nesse cenário, a linguagem cinematográfica está presente seja como linguagem em si, seja por seus diferentes temas.escola 02
É importante ressaltar que o cinema, tal como a fotografia que o antecedeu, tem em sua origem a relação com os diferentes campos de atuação e conhecimento humanos: a Arte e as Ciências (sejam elas naturais ou humanas). Portanto, sua relação com escola não é apenas justificada, mas imprescindível. Sabe-se também que a presença, o avanço e o acesso às tecnologias de comunicação e informação digitais ampliaram a constância da linguagem audiovisual em nosso cotidiano.
O surgimento do programa Cultura é Currículo em 2007 foi uma forma de firmar essa relação. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), por meio da Fundação de Desenvolvimento da Educação (FDE). O programa teve por fundamento a ideia de “democratizar o acesso dos alunos e dos professores aos bens culturais, no que se refere à produção cinematográfica, aos espetáculos de teatro, música e dança e o acesso às Instituições Culturais que trabalham com Arte, Cultura, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente” contou Claudia Rosenberg Aratangy, diretora de Projetos Especiais (FDE) e responsável pelo programa.
No caso específico do cinema, foi criado o projeto O Cinema vai à Escola que se propõe a “criar condições para a escola dialogar com a produção cinematográfica dos mais variados contextos, gêneros e cenários mundiais” complementou Aratangy.
 
O caminho à escola
 
O projeto prevê o atendimento de 100% das escolas estaduais de Ensino Médio da rede pública e se vale de diferentes estratégias para fomentar a utilização dos materiais em sala de aula. São realizados encontros com professores e gestores, videoconferências e disponibilizados materiais impressos, audiovisuais e digitais que abrangem linguagem cinematográfica na escola, informações sobre os diferentes filmes e sugestões de abordagem em sala de aula.Trilhos por André Stéfano
“De início, já acreditávamos que não era só a questão de enviar material e filmes para as escolas. Por isso, organizamos para cada filme atividades em forma de roteiros que orientam o trabalho do professor das diferentes disciplinas do Ensino Médio com os filmes na escola. Entendemos que a etapa final da escolarização básica é bem receptiva para discutirmos e problematizarmos os temas presentes nos filmes e também no nosso cotidiano”, relatou Devanil Tozzi, gerente de Educação e Cultura (FDE).
Periodicamente, são organizados encontros nas Diretorias de Ensino do Estado “para, entre outras questões, alertá-los e orientá-los sobre a potencialidade dos materiais e a necessidade de disponibilizá-los para os professores”, acrescentou Tozzi, “e paralelamente, produzimos vídeos sobre linguagem do cinema e educação, trazendo questões sobre o papel do documentário, da trilha sonora, do audiovisual no mundo contemporâneo, orientações de como organizar o acervo o acervo de filmes na escola, como analisar um filme etc.”.
 
O novo acervo
 
Eva Margareth Dantas, técnica em Projetos Pedagógicos (FDE), contou ao Cmais+ Educação como a equipe do projeto O Cinema vai à Escola selecionou os novos títulos: “É possível identificar nesse conjunto a diversidade de gêneros e de temas. O humor, a poesia, o drama permeiam essas obras. Chegar a esses títulos foi uma tarefa árdua. Foram muitos filmes vistos e procuramos levar para a sala de aula aquilo que consideramos essencial da produção cinematográfica e que, além disso, pudesse dialogar com o universo da escola e dos jovens”. 
quanto mais quente melhorA configuração do novo acervo privilegiou a diversidade de linguagens, de gêneros e produção dos filmes. “Os contrapontos podem ser reconhecidos em filmes como o clássico Luzes da cidade e o contemporâneo Não por acaso”, salientou Dantas. “Nesses dois filmes, temos duas cidades em tempos diferentes, mas com anseios, desejos e turbulências parecidos”.
Sobre os demais títulos, acrescentou: “a arte do cinema e a sagacidade de alguns diretores de tocar em temas sérios optando pela comédia está devidamente representada por Quanto mais quente melhor, um dos melhores filmes produzidos até hoje. E não poderia faltar o grande mestre do suspense, Hitchcock, e o comportamento sinistro de seus pássaros. E, entrando num terreno mais denso, 12 Homens e uma sentença faz parte desse conjunto para provar que alguns filmes não perdem sua atualidade e que, hoje, essa película é um documento, uma grande reflexão sobre nosso tempo e sobre o ato de julgar. Finalmente, afastando-nos dos dias de hoje até a Inglaterra do séc. XIX e mostrando como um bom livro pode virar um filme, faz parte também dessa caixa Oliver Twist (2005), com uma recriação de época impecável que traz para nosso debate alguns dilemas do passado que permanecem até a atualidade”. 
Claudia Rosenberg Aratangy conclui que “cada vez mais precisamos apostar na divulgação do potencial desse acervo que está em todas as escolas de Ensino Médio e acreditar que o mais importante é o professor mediar esse trabalho, criando condições para que os alunos apreciem as obras e ampliem suas visões de mundo”.
 
Embarque nesse trem
 
A equipe do projeto O Cinema vai à Escola se reuniu com a equipe do Núcleo de Vídeo – formado por profissionais da TV Cultura que produzem materiais para programas e projetos da SEE-SP – com a proposta de elaborar um vídeo que aproximasse professores e alunos dos novos títulos do acervo.
O trem foi pensado como elemento de ligação entre os diversos filmes e Soraia Fessel, repórter do Núcleo de Vídeo, protagoniza uma viagem utilizando-se de um jogo entre ficção e reportagem. O local da gravação do vídeo foi Paranapiacaba, cidade que foi o centro de controle da companhia de trens inglesa São Paulo Railway e o resultado você confere abaixo:
 

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